Espetáculo da companhia teatral Impulso Coletivo reestreia neste sábPatrícia Benvenuti
Da redação
Um mercado imobiliário que avança, constroi novos prédios e transforma o espaço urbano em um cenário cada vez mais padronizado. Em uma metrópole como São Paulo, não param de surgir novos empreendimentos, que derrubam, sem piedade, os imóveis que estiverem no caminho dos negócios.
Mas como fica a memória da cidade e de seus habitantes nesse processo? Como lidar com as transformações que alteram os locais e não preservam sua identidade? Que consequências essas mudanças acarretam na forma como ocupamos os espaços?
Cena do espetáculo "Cidade Submersa": diálogo entre memória e cidade -
Foto: Divulgação
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Essas questões são o mote do espetáculo “Cidade Submersa”, da companhia teatral Impulso Coletivo, que entra em cartaz neste sábado (10) no Espaço Redimunho de Teatro, em São Paulo.
A peça surgiu dentro do projeto Desassossego, que visava a investigar as relações entre cidade, memória e crescimento urbano e econômico. “Foi olhando para cidade e vendo essas desapropriações e demolições que nos propusemos o desafio de pensar a importância da memória para nossa construção identitária”, explica o diretor do Impulso Coletivo, Jorge Peloso.
A partir daí, a companhia baseou seu trabalho de pesquisa na Vila Itororó, localizada na região central de São Paulo. Uma das mais antigas vilas urbanas da capital paulista, a Vila tem sido alvo há vários anos de uma disputa entre a Prefeitura, que quer transformá-la em um centro cultural e gastronômico, e os moradores, que defendiam sua restauração e uso para fins de moradia, conforme seu projeto original. Quase todas as famílias foram retiradas da Vila, que tem seu futuro ainda indefinido.
A batalha dos moradores foi acompanhada de perto pelo Impulso Coletivo que, durante três anos, frequentou a Vila para colher as impressões e os depoimentos que criariam a peça. “Cidade Submersa” é fruto dessa relação desassossegada, um registro em movimento do que foi nosso processo com a Vila Itororó”, acrescenta Peloso.
Ao assistir o espetáculo e compreender a dinâmica atual do espaço urbano, representada no caso da Vila Itororó, Peloso espera que os espectadores proponham a si mesmos uma reflexão sobre que tipo de relação queremos com a cidade que habitamos. “Propomos esta reflexão não para um suposto resgate de um passado nostálgico, mas para pensarmos em como a história pode ser um profundo provocador que nos implique no presente e nos projete no futuro”, diz.
Depois da apresentação da peça, haverá debates com os atores do coletivo e convidados.
O espetáculo
Interpretado por Jorge Peloso e Marília Amorim, “Cidade Submersa” conta a história de Eliseu e Virgílio, dois personagens idosos e amigos de infância, que se reencontram depois de muito tempo. Eliseu sofre de Alzheimer, e a visita de seu amigo faz com que relembrem e reflitam sobre o lugar onde cresceram, que vem sofrendo grandes transformações. Para reencontrar esse local, guardado na memória, saem pela cidade se confrontando com suas contradições e mudanças.
Além de depoimentos de moradores da Vila Itororó, o espetáculo carrega cenas simbólicas que sintetizam problemas, como o ritmo acelerado do cotidiano, a especulação imobiliária, a escassez de moradia e a privatização do patrimônio público, que entrecruzam a trajetória de Eliseu e Virgílio.
SERVIÇO
Espetáculo “Cidade Submersa”
De 10 de novembro a 09 de dezembro – Sábado às 20h e Domingos às 19h.
Espaço Redimunho de Teatro (Rua Álvaro de Carvalho, 75 – Centro – São Paulo - próximo ao metrô Anhangabaú)
* Não haverá espetáculo dias 24 e 25 de novembro.
R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia)
Debates:
10 de novembro: Integrantes do Impulso Coletivo
17 de novembro: Nabil Bonduki (arquiteto e urbanista e vereador recém eleito) e Luiz Kohara (Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos)
1º de dezembro: Antonia Candido (moradora da Vila Itororó)
8 de dezembro: Coletivo Mapa Xilográfico, que apresentará o documentário (Á) Deriva Metrópole São Paulo
** Programação sujeita a alteraçõesado (10), em São Paulo
Fonte: Brasil de Fato
Postado por Cristina Rastafári
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