Arquivo do extinto Serviço Nacional de Informação revela que a ditadura trabalhou para afastar políticos ligados ao ex-presidente
| Juscelino na posse, em 1956: redução do poder político do ex-presidente era vista como "essencial" para o regime |
Oito anos depois de deixar o governo, o ex-presidente Juscelino Kubitschek ainda era motivo de preocupação dos militares que assumiram o poder pelo golpe de 1964. Documentos produzidos pelos serviços de informação em 1969 mostram o temor que o regime tinha de JK, principalmente se ele voltasse à vida política em Minas Gerais. Um deles, da Segunda Seção do I Exército, analisa a situação do estado e conclui que é necessário dissolver a corrente do ex-presidente, avaliando que se isso seria uma questão de “sobrevivência para a revolução de 64”. O relatório sugere, também, que outras pessoas ligadas a Juscelino, como Tancredo Neves e Israel Pinheiro, tivessem seus direitos cassados.
Com 11 páginas, o documento intitulado Situação político-social de Minas Gerais teve uma difusão restrita e somente circulou no Serviço Nacional de Informações (SNI), Centro de Informações do Exército (CIE) e Comissão Geral de Investigações (CGI). O relatório foi produzido em Juiz de Fora no 8 de maio de 1969 e foi encaminhado para o comando do I Exército — que provavelmente o solicitara — pelo general Itiberê Gouvêa do Amaral, que chefiava o Quartel-Geral regional na cidade mineira. Na introdução, os militares afirmam que todas as informações que constavam no dossiê foram adquiridas com funcionários públicos federais e do próprio governo, inclusive secretários de Educação, Segurança e Finanças.
Fonte: correio Brasiliense
Postado por Cristina Rastafári
Nenhum comentário:
Postar um comentário