Sara Vasconcelos - repórter
Bandeirolas, balões e barracas de fogos, roupas xadrezes e comidas típicas pelas ruas e comércio não deixam dúvida: já é junho. As festividades e cultos religiosos faz deste mês, o mais forte em tradições para o nordestino. Questões socioeconômicas, além da devoção católica, são citadas por historiadores e religiosos como motivo para que os rituais tenham maior intensidade nesta região do país.
Alex Régis
As quadrilhas são herança da corte francesa e foi introduzida no Brasil no século XVII, pelos portugueses. Elas celebram as festas de São João, Santo Antônio e São Pedro no mês de junho
Alguns costumes, como conhecemos, vem da Europa e foram introduzidos no Brasil pelos portugueses. A origem, entretanto, explica a historiadora Maria Dagmar Ribeiro, data das primeiras civilizações. "Os persas, os incas, entre outros povos, já festejavam este mês e com a chegada do cristianismo, a Igreja católica introduziu a figura de São João, o primeiro dos santos a ser celebrado em junho", afirma.
O vigário geral da Arquidiocese, padre Edilson Soares Nobre lembra que são duas as explicações para o uso do termo "junina". A primeira pelos festejos acontecerem durante o mês de junho. A segunda, pelo fato de tratar-se de festas celebradas originalmente em países católicos da Europa e, portanto, seriam em homenagem a São João. "No princípio, denominava-se festa joanina", lembra. "São João Batista é invocado como o precursor. Aquele que preparou os caminhos do Senhor Jesus Cristo. É chamado Batista, porque ele pregava o batismo da conversão", acrescenta o padre.
Mas além de São João, comemorado no dia 24, são homenageados ainda Santo Antônio, dia 13, e São Pedro, dia 29 de junho. O martírio de São Paulo também é celebrado no mesmo dia de São Pedro. "Porém, a festa em homenagem a ele (São Paulo) não se popularizou tanto", acrescenta o religioso.
As festas juninas, observa o padre, tomaram uma proporção muito grande e ultrapassam a dimensão religiosa. "É uma festa popular que envolve aspectos religiosos, folclóricos, sociais, onde a mesma é enriquecida por tradições e costumes tipo fogueiras, balões, quadrilhas e outras danças, canções e simpatias", afirma.
Na região Nordeste, esclarece a historiadora Dagmar Ribeiro, os festejos estão mais ligados à chegada das chuvas, à figura do matuto, eternizada nas quadrilhas como o "Jeca Tatu", além de ter grande importância para atividades econômicas como o turismo regional. Enquanto, no Sul e Sudeste do país a tradição, que guarda peculiaridades, está mais ligada ao período de colheita do milho.
As quadrilhas, herança da corte francesa, foi introduzida no Brasil no século XVII, pelos portugueses. "Cada região agregou características. Da mais caipira à mais estilizada, a dança se renova e atrai mais jovens. É a cultura que sai ganhando", observa. Já as fogueiras tem fundamento religioso e segue a tradição iniciada com o nascimento de João Batista, quando fogueiras foram acesas para anunciar a chegada do menino.
A culinária à base de milho é a contribuição brasileira para a tradição europeia. "O milho é a comida das Américas e por ser o alimento deste período se difundiu as comidas tipicas", afirma a professora.
MP recomenda suspensão de festas
A Prefeitura de Pendências cancelou todos os contratos com bandas para a realização dos festejos juninos, no município. O custo seria de R$ 1,6 milhão. A medida obedece a determinação conjunta emitida pelos Ministérios Públicos Estadual, Federal, Eleitoral e o Ministério Público Junto ao Tribunal de Contas. A recomendação é para que nos 139 municípios, que decretaram estado de emergência por conta da seca, não sejam realizadas "despesas com eventos festivos, incluindo a contratação de artistas, serviços de 'buffets' e montagens de estruturas para eventos". A ideia é evitar que a situação se agrave nestas cidades, além de garantir que o máximo dos recursos públicos sejam destinados prioritariamente para a minimização dos efeitos da estiagem.
No documento as quatro instituições destacam, ainda, uma outra preocupação: "a prática e a experiência demonstram que a realização de festas e eventos em ano eleitoral costumeiramente é desvirtuada, passando a ser utilizada com fins eleitoreiros". E ressaltam que nos casos de verbas federais recebidas do Ministério da Cultura ou do Ministério do Turismo, com destinação específica vinculada à realização de festas ou eventos culturais, não se aplicam as orientações contidas na Recomendação.
Em 11 de abril, a governadora Rosalba Ciarlini decretou a situação de emergência nos 139 municípios afetados pela seca, por 90 dias, prorrogável por igual período.
Em Pendências, serão mantidas a programação religiosa em comemoração ao padroeiro da cidade, São João Batista, além das quadrilhas juninas.
Quarta-feira é dia do santo casamenteiro
Na próxima quarta-feira, dia 13, a Igreja Católica celebra um dos santos mais populares do cristianismo, Santo Antônio. De acordo com o vigário geral da Arquidiocese, padre Edilson Soares Nobre, o santo português foi um grande teólogo, místico, Doutor da Igreja. Contudo, o título que mais o identifica é a de "Santo casamenteiro", dado pelo senso popular. São várias as origens apontadas para que Antônio de Pádua seja o padroeira de quem deseja conseguir um casamento.
Uma das versões é que o título se deve a uma graça que uma criança recebeu do santo. "Ela havia feito uma promessa para que os seus pais superassem a intensa desarmonia conjugal que existia entre os dois. Tendo a criança alcançado a graça, a fama do santo se evidenciou e até hoje é tratado como o santo casamenteiro", conta o padre.
Na tradição popular, o Santo Antônio é casamenteiro. A devoção começou no século XII graças à generosidade do frei que presentava moças pobres, com valores, que pudessem ser dados em dote para arranjar um casamento.
Outra lenda, lembra a historiadora Maria Dagmar Ribeiro, é genuinamente brasileira. Conta que uma moça de Minas Gerias, cansada de não ter êxito nas preces para arranjar um marido, arremessou pela janela a imagem do Santo Antônio, que acertou a cabeça de um homem que passava pela rua. "Eles se conhecerem por conta do incidente e acabaram casando-se, de acordo com a lenda", conta.
O padre lembra que a reputação de casamenteiro, bem como as simpatias realizadas para encontrar a "alma gêmea" não tem o crédito da Igreja. "Não discriminamos, nem é condenável. Somente não recomendamos como algo da doutrina da Igreja católica", disse Edilson Nobre.
Independente da origem, a bióloga Kallyane Andrade conta que a fé no "santinho" deu certo. "Todo ano eu fazia a brincadeira da aliança no copo e ia caindo o número de batidas e acabei casando no tempo mostrado", lembra. Devota de Santo Antonio, a dona de casa Antônia Almeida, 56 anos, conta que o nome do marido, com quem está casada há 32 anos, apareceu em uma das simpatias. "Acredito que quando se tem fé até o que é senso comum pode render boas surpresas", disse.
Interdição de vias para arraiás
Com o início das festas juninas e apresentações de quadrilhas e festejos de rua, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana tem realizado um trabalho para interdição de vias onde as festividades serão realizadas. Até agora, cerca de 200 requerimentos para interdição de ruas onde acontecem os chamados arraiais juninos foram encaminhados para a Semob. O secretário Márcio Sá explica que é necessário procurar o setor de interdição viária do órgão, sempre que for preciso interromper o fluxo de uma via pública. "Para que isso ocorra, os organizadores devem ter a autorização da Secretaria", disse Márcio Sá.
Para conseguir a liberação oficial para realizar a festa, os representantes de comunidades precisam da autorização da Semob e da Secretaria Municipal (Semurb), caso haja o uso de palco e som.
Neste caso, acrescenta Márcio Sá, é preciso buscar uma declaração na Semob, oficializando que a Secretaria tem conhecimento da realização do evento; com isso, ir até à Semurb e solicitar a licença ambiental. Após isso, o organizador deve retornar à Semob para conseguir a autorização de interdição da rua. Para dar início ao processo, é preciso levar à Semob uma solicitação de interdição da rua ou avenida.
São João
Na tradição popular, Santo Antônio é casamenteiro. A devoção começou no século XII, graças à generosidade do frei que presenteava moças pobres, com valores que pudessem ser dados em dote para arranjar um casamento. Outra lenda, lembra a historiadora Maria Dagmar Ribeiro, é genuinamente brasileira. Conta que uma moça de Minas Gerais, cansada de não obter sucesso nos pedidos para arranjar um marido, arremessou pela janela a imagem do Santo Antônio, que acertou a cabeça de um homem que passava e que por isso se conheceram e acabaram casando-se.
Conheça algumas simpatias* para o santo 'casamenteiro' dar aquela mãozinha para quem está solteiro encontrar um amor.
Pra ontem
Uma das mais conhecidas e indicadas para quem tem pressa em arranjar um namorado. Compre uma pequena imagem do santo. E para agilizar a conquista do pedido, fazer dois procedimentos: tirar o Menino Jesus do colo do religioso, dizendo que só devolverá quando conseguir um namorado, ou ainda, virar o Santo Antônio de cabeça para baixo.
Para (se) amarrar
Logo na manhã do Dia dos Namorados, véspera de Santo Antônio, compre um metro de fita azul de qualquer largura e escreva nela o nome completo da pessoa amada. À noite, conte 7 estrelas no céu, sem apontar, e faça um pedido ao santo para que ele ajude você a conquistar o coração dessa pessoa. No dia seguinte, amarre a fita nos pés da imagem de Santo Antônio e deixe lá, até conseguir arranjar uma pessoa para namorar.
Com que letra se escreve?
Quem deseja descobrir o nome do futuro companheiro deve comprar um facão e, à meia-noite do dia 12 de junho, cravá-lo numa bananeira. O líquido que escorrer da planta deve formar a letra do futuro amor.
Quantos anos faltam?
Para descobrir se falta muitos anos para a grande data, na véspera do dia 13 de junho, à meia-noite, amarre uma aliança - que pode ser de qualquer parente - numa linha ou num fio. Coloque um copo sobre a mesa e segure o fio de modo que a aliança esteja dentro do copo. Reze uma Salve-Rainha e peça ao Santo para mostrar quantos anos faltam para o casório. O número de batidas informa quantos anos ainda restam para o Dia D.
Qual deles?
Uma das mais antigas tradições diz que, para descobrir o futuro companheiro, é preciso escrever os nomes dos candidatos em vários papéis. Um deles deve ser deixado em branco. À meia-noite do dia 12 de junho, eles devem ser colocados em cima de um prato com água, que passará a madrugada ao relento. No dia seguinte, o que estiver mais aberto indicará o escolhido. E se tirar o que está em branco?
Falta muito?
Na véspera do Dia de Santo Antônio, compre um copo branco e, à meia-noite, coloque água. Quebre um ovo gelado dentro do copo, com cuidado, para não arrebentar a gema. Deixe no sereno por toda a noite. No dia seguinte, antes do sol nascer, pegue o copo e observe. Se estiver coberto por uma névoa branca, você se casará antes do Dia de Santo Antônio do próximo ano.
Fonte: Tribuna do Note
Postado por Cristina Rastafári
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