Andrielle Mendes - Repórter
Depois de quase três anos de espera, a SP Fish Pescados (com sede em São Paulo) recebeu carta branca para instalar uma indústria de processamento e enlatamento de sardinha e atuns no prédio do antigo Núcleo Pesqueiro da Redinha, na Zona Norte de Natal. A negociação, iniciada na gestão anterior de governo, só foi concluída na última semana, quando a Assembleia Legislativa autorizou a concessão do prédio, localizado em área da Marinha, à empresa.
Aldair Dantas
Pela lei da concessão, no local também será capacitada mão de obra
A Lei nº 9.625, que autoriza a concessão do imóvel, foi publicada no último dia 22, no Diário Oficial do Estado. O nome da empresa beneficiária foi repassado pelo ex-subsecretário estadual de Pesca, Antônio-Alberto Cortez. De acordo com a lei, o imóvel será destinado à instalação de uma unidade industrial de pescados e derivados, onde haverá, inclusive, a oferta de cursos profissionalizantes para qualificação de mão-de-obra especializada.
A TRIBUNA DO NORTE entrou em contato com a assessoria de comunicação do governo, mas não obteve retorno com mais informações sobre a operação até o fechamento desta edição. O secretário estadual de Administração, Alber Nóbrega, que assina a lei juntamente com a governadora Rosalba Ciarlini, não atendeu as ligações e Suely Pimentel, adjunta de Administração, pediu mais tempo para levantar as informações acerca da concessão.
Projeto
Projeto de lei semelhante já havia sido encaminhado pelo governo do estado à Assembleia Legislativa em agosto de 2010. Na época, a empresa chegou a anunciar que investiria R$ 25 milhões na instalação da indústria - a primeira a processar e enlatar sardinhas e atuns no Rio Grande do Norte. O contrato a ser assinado entre a empresa e o governo tem duração de até dez anos e pode ser renovado, se houver interesse público.
A equipe de reportagem entrou em contato com o executivo da SP Fish, Maurício Sombreira, para confirmar as informações, mas ele não pôde atender as ligações.
A distribuidora de pescados pretendia iniciar a operação no início de 2010, o que não aconteceu. Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE em abril de 2009, Maurício Sombreira chegou a dizer que a unidade geraria 300 empregos diretos e que os funcionários seriam treinados pela empresa e selecionados, de preferência, na Redinha. Segundo Antônio-Alberto Cortez, o número permanece o mesmo.
Os atuns, segundo Maurício, seriam pescados com frota própria ou comprados no mercado local. As sardinhas, por sua vez, seriam fornecidas pela comunidade de Diogo Lopes, maior polo produtor do RN, na época. A meta era ampliar o volume processado com o passar do tempo. A expectativa era atingir 2.563 toneladas, entre sardinhas e atuns, no primeiro ano, e chegar a 4.306 toneladas a partir do terceiro ano. O volume representaria 70% da capacidade instalada à época.
Para Cortez, a instalação da indústria marca a verticalização do setor, que deixará de exportar apenas atuns e sardinhas in natura.
Pesca quer triplicar faturamento
A Confederação Nacional dos Pescadores e Aquicultores (CNPA) e o Ministério da Pesca e Aquicultura assinam nesta quarta-feira um protocolo de intenções que poderá triplicar o faturamento do setor. Cerca de 700 pescadores artesanais de todo o Brasil e líderes da área participam do ato em Brasília.
Na ocasião, a CNPA, que reúne 1,2 milhão de pescadores artesanais em 1.100 colônias de pesca em todos os estados, apresentará os números do setor ao ministro da Pesca, Marcelo Crivella. A apresentação será feita durante o Encontro Nacional de Pesca Artesanal e Aquicultura Familiar. Anualmente, a pesca artesanal movimenta R$ 1 bilhão, emprega 1,2 milhão de pescadores e responde por 80% das receitas de todo o setor da pesca.
De acordo com o presidente da CNPA, Abraão Linconl Ferreira da Cruz, os pescadores artesanais reivindicarão durante o encontro a criação de um fundo nacional para pescadores artesanais e a unificação do ordenamento dos recursos pesqueiros sob a tutela exclusiva do MPA ao invés de dois ministérios (Meio Ambiente e Ministério da Pesca). A criação do fundo, segundo ele, triplicaria o faturamento da pesca artesanal do Brasil, passando dos atuais R$ 1 bilhão para R$ 3 bilhões por ano. O dinheiro poderia ser usado na modernização da frota pesqueira, por exemplo.
Fonte Tribuna do Norte
Postado por Cristina Rastafári
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