Biblioteca sem data para reabrir

Numa corrida contra o tempo, o Governo do Estado aguarda receber o repasse de R$ 1 milhão através de um convênio com o Ministério da Cultura (MinC) para iniciar as reformas na Biblioteca Pública Câmara Cascudo, fechada ao público há pelo menos quatro meses. No total, a reforma prevista para uma das bibliotecas estaduais mais antigas e uma das únicas da capital potiguar, custará R$ 3 milhões. Estão previstas intervenções na arquitetura do prédio, melhorias nos ambientes internos, aquisição de novo mobiliário e de um novo sistema de gestão do acervo.
Desse montante, segundo a secretária extraordinária de Cultura, Isaura Rosado, R$ 2 milhões serão custeados pelo Executivo Estadual. Ela não soube informar, entretanto, de qual fonte pagadora os recursos serão extraídos. "Nós estamos aguardando que o Ministério da Cultura nos encaminhe os recursos do convênio para iniciar a reforma da Biblioteca Câmara Cascudo. A previsão é de que tudo esteja resolvido até o final deste mês. O Governo garantiu de que entrará com uma contrapartida", destacou Isaura Rosado. Ela não detalhou, porém, o cronograma da obra.

O risco que o Governo do Estado corre, caso o Ministério da Cultura não oficialize o repasse dos recursos até o dia 7 de julho, é arcar sozinho com todos os custos da reforma. De acordo com a Lei Eleitoral, estados e municípios ficam impedidos de firmar convênios e receber repasses da

União pelo período de 90 dias antecedentes ao pleito eleitoral. "Nós, temos, inclusive, uma licitação em andamento para esta obra. Caso o dinheiro do MinC saia, cancelaremos esta licitação. Caso não, o Governo vai financiar tudo", garantiu a secretária extraordinária de Cultura.

Enquanto a obra não começa, relíquias literárias se decompõem paulatinamente, expostas à ação de cupins, umidade, mofo e desorganização. No rol de entrada da biblioteca, mais de uma centena de livros, entre lacrados e que ainda não foram catalogados, e outros com etiquetas de identificação, disputam espaço uns sobre os outros. Documentos oficiais, como Diários do Estado, correm o risco de serem molhados ou queimarem, visto que, por quase todo o prédio, existem fios desencapados e umidade.

Parte do acervo de jornais e revistas antigas e atuais, livros seculares, coleções completas de diversos autores, livros de Medicina e Direito e exemplares raros de dicionários e enciclopédias estão "esquecidos" e encobertos por poeira. Os caminhos na parede formados pelos cupins, denunciam o descaso com os escritos de autores potiguares, nacionais e internacionais. Além disso, o acervo áudio-visual da biblioteca também sucumbe à falta de manutenção pública. Discos e DVDs de vários artistas e de projetos de inclusão social se acumulam, sujos e sem identificação, nas prateleiras enferrujadas e carcomidas pelos cupins.

De acordo com Isaura Rosado, enquanto a Biblioteca estiver em reforma todo o acervo será catalogado num programa de computador que facilitará a organização e localização das peças no pós-reforma. "Toda a estrutura será transferida para o Centro de Documentação Cultural (Cedoc) do Governo", comentou Isaura. O Cedoc Eloy de Souza funciona no Solar João Galvão de Medeiros, em frente à Capitania das Artes, na Avenida Junqueira Aires, com uma estrutura inferior ao tamanho da Biblioteca.

A maioria dos livros concentrados no piso superior da Biblioteca Câmara Cascudo já foram encaixotados. Quase nenhuma das caixas, porém, possui identificação de quais exemplares estão ali armazenados. Outros livros foram simplesmente amarrados uns aos outros. Entretanto, a maior parte do acervo ainda não foi limpa, tampouco disposta em caixas para a futura mudança. Sem auxiliares de limpeza geral há mais de um ano, a sujeira toma conta dos corredores entre as prateleiras e muitos livros já não possuem mais capa, que foram roídas por cupins.


Fonte: Tribuna do Norte
Postado por Cristina Rastafári

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