lia de paula
Humberto Gurgel alega que Demóstenes faltou com a verdade, o que configura quebra de decoro
Na avaliação de um dos integrantes do Conselho de Ética, a situação de Demóstenes é "muito delicada", "não é nada confortável". Os senadores acusam Demóstenes de ter mentido ao negar ter relações com Cachoeira. Este foi um dos argumentos usados por Humberto Costa no parecer de 63 páginas apresentado na semana passada. No relatório, Costa alegou que Demóstenes "faltou com a verdade", o que configura quebra de decoro, ao afirmar que militou contra a legalização dos jogos de azar no País e só mantinha "relações sociais" com Cachoeira, em discurso feito em 6 março último, no plenário do Senado. Na ocasião, Demóstenes subiu à tribuna para explicar o recebimento de presentes de casamento de Cachoeira.
O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro deverá tentar adiar a votação prevista para esta terça de manhã do relatório. Kakay, como é conhecido, pretende insistir na concessão de novo prazo para apresentação de defesa para seu cliente. A tendência, no entanto, é que o pedido seja novamente negado pelo presidente do Conselho Ética, senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE). Na semana passada, dizendo-se surpreendido com o teor do relatório de Costa, Kakay solicitou mais tempo para preparar uma nova defesa, mas teve sua demanda rejeitada por Valadares.
Com a provável aprovação desta terça do pedido de abertura de processo por falta de decoro, o próximo passo do Conselho será a convocação de duas testemunhas: o próprio Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira. A expectativa é que o relatório final de Costa seja votado no Conselho de Ética até o final de junho. A votação do eventual pedido de cassação do mandato de Demóstenes deverá ocorrer até o dia 17 de julho, antes do início do recesso parlamentar.
Ao defender a abertura de processo disciplinar, o relator afirmou que Demóstenes teria conhecimento das atividades ilícitas de Cachoeira. Costa argumentou que, como ex-procurador de Justiça e ex-secretário de segurança de Goiás, Demóstenes não tinha como desconhecer as atividades de "contravenção" de Cachoeira alardeadas durante a CPI dos Bingos do Senado, em 2006 Para pedir a abertura do processo, Costa acusou Demóstenes de ter recebido "vantagem indevida" ao aceitar um aparelho de rádio-celular Nextel do contraventor. Esse foi um dos aparelhos de telefone grampeados pelo Polícia Federal em que foram detectadas quase 300 conversas entre Cachoeira e Demóstenes.
Procurador pede informações no RJ
Rio de Janeiro (AE) - Além da preocupação com uma possível convocação para depor na CPI do Cachoeira, o governador Sérgio Cabral (PMDB) tem uma nova dor de cabeça: o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu informações sobre contratos da construtora Delta com o governo do Estado a três órgãos de fiscalização. Com base nas respostas, Gurgel decidirá se pede ou não abertura de investigação contra Cabral no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Em entrevista ontem, o procurador-geral disse que "é um momento absolutamente preliminar" e que "não há anda qualquer iniciativa para instauração de inquérito". Gurgel informou que pediu informações à Controladoria Geral da União (CGU), ao Tribunal de Contas da União (TCU)e ao Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro. Por meio da assessoria de imprensa do governo, Cabral disse apenas que reafirma o respeito ao Ministério Público.
Envolvidos na operação para, em parceria com o PT, evitar a convocação de Cabral na CPI, os principais líderes do PMDB reconhecem que o desgaste do governador é grande. Cabral se aproximou dos companheiros de legenda no esforço para evitar que as relações de amizade com o dono da Delta, Fernando Cavendish, ganhem contornos de escândalo nacional.
Fonte: Tribuna do Norte
Postado por Cristina Rastafári
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