São Paulo (AE) - A Azul e a Trip confirmaram ontem a fusão de suas operações. A união das empresas formará um grupo dono de cerca de 15% do mercado doméstico brasileiro, líder no número de destinos atendidos e com previsão de receita de R$ 4,2 bilhões neste ano. O negócio ocorre cerca de um ano após a TAM assinar uma carta de intenção de compra de 31% da Trip, opção que não foi exercida.
felipe araújo/ae
Neeleman (camisa branca, à dir.): Nova empresa deve alcançar R$ 4,2 bilhões em receita este ano
A negociação resultou na criação da holding Azul Trip, controladora das duas companhias aéreas. Os acionistas da Azul serão donos de 67% do grupo, e o restante ficará nas mãos dos controladores da Trip. As empresas tratam a operação como uma fusão, mas o mercado enxerga o negócio como uma aquisição da Trip pela Azul. "Fusão entre empresas com participações desiguais tem mais cara de aquisição", disse o sócio-diretor da consultoria de fusões e aquisições Naxentia, Vincent Baron.
A fusão faz dos grupos Capriolli e Águia Branca, donos da Trip, os maiores acionistas da holding Azul Trip. Há uma semana, eles recompraram 26% das ações da Trip que estava nas mãos da americana SkyWest e se tornaram os únicos controladores da companhia, com participação igualitária. O fundador da Azul, David Neeleman, será o presidente da holding Azul Trip.
Azul e Trip aguardam o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para começar a integrar as empresas. Após as aprovações, devem integrar suas malhas e adotar uma marca única. Oficialmente, Azul e Trip afirmam que farão estudos para escolher a marca mais forte, mas fontes do mercado de aviação disseram ao Grupo Estado que a marca Azul prevalecerá.
A fusão com a Trip dará a Azul presença em 96 cidades entre as 108 que recebem voos regulares. É a maior cobertura em número de destinos.
Para o consultor de aviação Nelson Riet, a compra da Trip deve aumentar a rentabilidade da operação regional da Azul. "Ela estará sozinha neste mercado", disse. TAM e Gol trabalham com aviões de grande porte, que inviabilizam voos para cidades menores. A fusão pode elevar os preços de voos regionais, mas tende a diminuir os valores cobrados nas rotas entre grandes cidades, disse Baron. "A Azul terá mais musculatura para competir com Gol e TAM."
Fonte: Tribuna do Norte
Postado por Cristina Rastafári
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