Faes consegue suspender processo de desapropriação de terras quilombolas


juscelia de jesus dos santos  49 anospor Flavia Bernardes
Os proprietários de terras de São Mateus se reuniram para tentar evitar o reconhecimento das terras quilombolas de Serraria e São Cristóvão. A iniciativa foi da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Espírito Santo (Faes), que conseguiu paralisar o processo administrativo do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para o reconhecimento tradicional das terras.
Segundo divulgado pela Faes, o objetivo da reunião foi definir os rumos da desapropriação de terras nas localidades de Serraria e São Cristóvão para a formação de quilombos de terras coletivas no município.


Estiveram presentes na articulação o ouvidor agrário nacional, Graciano José da Silva Filho, representantes da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo, além de representantes do Incra, do Ministério Público Federal, produtores rurais, quilombolas e outras lideranças.
Neste contexto, a informação é que ficou acertada a criação de uma comissão representativa, sob coordenação do procurador Júlio Castilhos, para formular propostas de conciliação entre produtores, comunidade e quilombolas.
O acordo poderá ser efetivado em até 60 dias após a entrega das propostas. Durante esse período, foi acordado que o processo administrativo do Incra ficará suspenso.
Os proprietários de terra cobram que o governo pague o preço de mercado pelas porções de terra que devem ser regularizadas como territórios quilombolas.
A ação contra o Decreto foi ajuizada em 2004 pelo PFL, hoje DEM, para questionar a ocupação de terras por remanescentes das comunidades dos quilombos. O partido exige que as decisões sobre terras quilombolas contem com a participação do Legislativo.
No Estado, os deputados Eustáquio de Freitas (PSB) e Atayde Armani (DEM) são a favor da anulação e já se manifestaram contra a identificação dos quilombolas por auto-reconhecimento, assim como a possibilidade de a própria comunidade apontar os limites de seu território.
A anulação do Decreto 4.887/03, que garante o direito de identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação de terras tradicionais quilombolas no País, pelo Incra, será decidida no próximo dia 18 de abril, no Supremo Tribunal Federal, sob forte pressão do Partido dos Democratas (DEM).
Postado por Cristina Rastafári

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