Hora de conhecer um pouquinho dos santos e sua relação com o bairro e, por que não, com a história de Natal.
Depois do Natal e do Ano-Novo, a primeira data religiosa no calendário é 6 de janeiro. É o dia de Reis. A data tem uma importância especial na cidade do Natal, tanto que é feriado na capita potiguar, com direito a procissão no bairro de... Santos Reis.
Hora de conhecer um pouquinho dos santos e sua relação com o bairro e, por que não, com a história de Natal - história que foi contada dia desses no programa Expresso Blau.
De quem se trata
Primeiro, quem são estes tão falados Reis Magos? De acordo com o evangelho de São Mateus, eles vieram do oriente, guiados por uma estrela, para visitar o menino Jesus e dar-lhe presentes. Não há menção sobre seus nomes nem quantos eram, e Mateus disse (ou melhor, escreveu) apenas serem "Magos". Pesquisadores acham que seriam astrônomos ou conselheiros.
A tradição reza que os Magos seriam três e se chamavam Melquior, Gaspar e Baltazar. Melquior presenteou Jesus com ouro, representando a realeza; Gaspar trouxe incenso, representando a divindade; e Baltazar a mirra, representando a humanidade. O ouro dispensa explicações; o incenso ainda hoje é usado para defumar ambientes, em particular templos; e a mirra é uma resina extraída de uma planta semelhante à macela, a mesma macela que aqui é usada como chá para problemas digestivos.
Aliás, foi por conta das oferendas dos Reis Magos que surgiu o costume da troca de presentes no Natal. Inclusive, existem alguns países onde a troca de presentes não ocorre no Natal, mas sim no dia de Reis.
Quanto à estrela, bem... a dita-cuja tem dado dor de cabeça a muito astrônomo por aí. Há quem a considere apenas uma fantasia, há quem presuma que a estrela de Belém teria sido um cometa, e mais recentemente tem-se considerado que a estrela seria o planeta Vênus que na época de Cristo estaria fazendo uma órbita mais próxima da terra.
A única coisa certa é que a estrela que guiou os Reis, de alguma forma, hoje está representada no brasão de armas e na bandeira de Natal.
Os Reis em Natal
Falando nisso, onde entram os Reis Magos na história de Natal? A história começa no Forte, que não se chama Forte dos Reis Magos por acaso. A primeira pedra foi posta em 1598 - um ano antes da fundação oficial da cidade. Mais precisamente no dia 6 de janeiro... dia dos Reis Magos. Certo é que a eles foi dedicado o forte. A construção primitiva foi concluída no dia 24 de junho do mesmo ano, quando a capela, então situada em um canto da edificação, foi o palco da primeira missa em terras potiguares. O forte como conhecemos hoje foi concluído entre 1614 e 1619, seguindo-se algumas reformas. A capela atual, no meio do Forte e com um paiol de pólvora em cima, surgiu por volta de 1633.
Fato curioso: até meados do século XVIII não haviam imagens na capela do Forte dos Reis Magos. Diz a lenda que havia um painel, uma pintura dos santos no lugar. Além disso, já que o paiol ficava por cima da capela, dizia-se que os santos cuidavam para que não houvesse explosão!... Só em 1753 - curiosamente, a mesma época do "achamento" da imagem de Nossa Senhora da Apresentação à beira do rio Potengi, Nossa Senhora que logo se tornou padroeira da cidade - é que chegaram as imagens dos três santos, vindas de Portugal, doadas pelo rei D. José I.
Durante anos, a festa de Reis foi realizada em volta do Forte.
No ano de 1901 os Santos Reis foram, digamos, expulsas do Forte. Ordem do Ministério da Marinha da época. E agora? As imagens foram transferidas para a Igreja do Bom Jesus das Dores, na Ribeira, onde ficaram até 1910. Nesse ano foi erguida uma capelinha perto do Forte e da boca da barra do Potengi, no chamado Morro da Limpa. Chegar lá não era fácil por conta das dunas.
Em 1936 os santos tiveram que se mudar de novo: o Morro da Limpa foi requisitado pelas forças armadas para a construção de um rádio-farol. As imagens, então, foram transferidas para uma capela nos arredores da praia da montagem, nas Rocas.
O bairro
Sim, Rocas. O bairro de Santos Reis, como conhecemos hoje, ainda não existia oficialmente. Apesar de Santos Reis ter sido um dos núcleos de fundação da cidade do Natal, a região só se tornou bairro oficialmente em 1947.
Situado em uma faixa de terra entre o Rio Potengi e o Oceano Atlântico, o bairro ainda tem como limites o Exército e a rua Décio Fonseca. Por estas ruas, o historiador José Melquíades fez muita pesquisa. Além disso, Santos Reis é o berço do músico Carlos Zens.
De prédios históricos, além do Forte, que foi tombado em 1949 e é administrado pelo Estado desde 1961, ainda há a antiga Rampa, que teve destaque na Segunda Guerra Mundial. Aí funcionaram um terminal da Panair e o comando da esquadrilha anti-submarinos.
Mas, voltando aos santos... Sabem a pequena capela da Montagem? Ela cresceu, tornou-se igreja matriz em 1964 e desde 1982 é o Santuário de Santos Reis - de onde todo dia 6 de janeiro sai uma multidão, seguindo os próprios Santos Reis que denominaram o Forte e o bairro. Uma devoção de mais de 400 anos.
Fonte: nominuto.com
Postado por Cristina Rastafári.
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