A atriz expressava-se sem medo da repressão da ditadura. A exibição de sua gravidez sem pudores fez dela um símbolo das mulheres atuais.
Karina CostaFoto: Reprodução do filme "Todas as mulheres do mundo"Não tem como falar sobre moda praia sem lembrar da figura irreverente de Leila Diniz, carioca de Niterói que marcou a Ditadura Militar com atitudes que romperam tabus. Entre elas, a que a tornou símbolo da revolução feminina quando escandalizou a sociedade ao deixar o barrigão à mostra na praia, durante sua gravidez, exibindo-o num biquíni.
Considerada vulgar na década de 1960, hoje a atitude passaria despercebida, afinal, é comum mulheres desfilarem com modelos cada vez menores, sem vergonha de suas formas. É reflexo do comportamento da atriz a troca do corpo coberto pelo maiô por looks de duas peças como os biquínis asa delta, cortininha, fio dental. E a convivência democrática entre magrinhas, gordinhas, saradas e, claro, mulheres exibindo com muito orgulho que esperam um bebê.
Leila estava à frente de sua época também quanto aos seus discursos: dizia palavrões sem o menor pudor e não escondia de ninguém suas vontades e preferências sexuais. Em uma entrevista ao jornal alternativo Pasquim, disparou mais de 70 palavras de baixo calão e falou abertamente de sua vida sexual, o que motivou a lei da censura prévia à imprensa, o "Decreto Leila Diniz".
Formada professora, mas tendo seguido a carreira de atriz, Leila começou no teatro e dali para a TV e o cinema. Teve uma trajetória expressiva, mas curta, por ter falecido muito jovem. Aos 27 anos, o avião que a trazia de uma viagem a um festival na Austrália caiu. A bordo estavam mais de 80 passageiros, todos vítimas fatais. Deixou Janaína com menos de um ano, filha que teve com o cineasta Ruy Guerra.
Entre marcantes papéis, Leila contracenou com Cacilda Becker em O Preço do Homem. Na TV atuou em 12 novelas, entre elas Eu compro essa mulher, O Sheik de Agadir, Vidas em Conflito e E Nós, Aonde Vamos?. No cinema participou de mais de dez filmes, como Fome de Amor, Os Paqueras e Mãos vazias, que lhe rendeu o prêmio de melhor atriz pelo International Film Festival da Austrália.
Fonte: Tempo de MulherPostado por Cristina Rastafári
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